As oportunidades citadas aconteceram com Nelson Piquet, Nigel Mansell (ambos da Williams) e Alain Prost, da McLaren. O francês era tido como carta fora do baralho. Mas a dupla da equipe do tio Frank estava em guerra, o que prejudicava ambos. E, em Adelaide, Prost venceu a corrida e o campeonato.
Em 2007 foi mais grotesco ainda. Tudo bem, Lewis Hamilton não era nenhum cauteloso e só sabia acelerar feito um maluco. Mas perder um campeonato tendo 17 pontos de vantagem (em 20 possíveis) foi de doer. Fernando Alonso era o segundo na tabela e também ficou sem a taça. O responsável em tirar o doce da boca da McLaren foi Kimi Raikkonen, que venceu as duas últimas provas e garantiu o mais inimaginável campeonato.
Agora, a história se repete. Jenson Button e Rubens Barrichello, da Brawn, que, de um modo geral, sobraram na temporada, contra Sebastien Vettel, da Red Bull, que ganhou sobrevida após vencer o GP do Japão.
Não é fácil, lógico. O súdito da Rainha tem 85 pontos, contra 71 do brasuca e 69 do alemão. Subir ao pódio em Interlagos significará comemorar o título da temporada para Button. Mas as duas ocasiões acima mostram que tanto Barrichello quanto Vettel devem lutar pela vitória.
O brasileiro manterá-se vivo na disputa se vencer e seu companheiro chegar abaixo do quarto lugar. Para o jovem alemão, a tarefa é mais difícil. Para chegar nos Emirados Árabes com chances, terá de vencer e torcer para Button ser apenas o sexto.
Ou seja, tudo pode acontecer, ainda. E, como 2008 deixou de lição, cautela demais pode transformar-se em desespero.